O que é Ainismo?

Elohim, manifestações do Deus Único

Deus, Jesus, Alá, Oxóssi, o Tao, Shiva, Ganesha, Júpiter, Marte, Tupã, Odin, Nossa Senhora Aparecida, a Grande Mãe e vários outros nomes são apenas nomes diferentes usados pelas pessoas para se referir ou sentir a conexão com alguma Força Maior cuja origem é o Deus Único.

Estes nomes se referem a forças além da realidade que chamamos genericamente no singular ou no plural por Elohim (אֱלוֹהִים), há mais nomes. As pessoas sentem a conexão com estas forças por meio de símbolos, oração e ritos simbólicos dos mais diversos, alguns com características universais e outros mais específicos da cultura de cada povo.

Os Elohim (há mais nomes) são manifestações existenciais de algo muito superior e além da existência. Algo que não é a realidade, nem o existente, mas intuímos que deu origem e mantém a existência. Os cabalistas referem-se a esta ideia pelo nome de Ein Soph ou Ain Soph (אין סוף), Sem Limites, que é a fonte do אור (luz imaterial infinita). Um pequeno filete desta luz imaterial infinita foi introduzida num minúsculo ponto sem espaço onde esta luz foi ocultada para dar origem a toda existência com seus vários multiversos. Isto que falamos é simbólico. Nossa mente consciente é limitada pela realidade. Nosso ser verdadeiro é limitado pela existência. Mas Ain Soph não é limitado, aliás ele nem é, pois só é o que existe e Esta Força Una está além da existência. É impossível pensar sobre isto porque todo pensamento trabalha com formas reais e Ain Soph não é real. É impossível entender a verdade disso porque a verdade é idêntica ao existente e Ain Soph não existe, está além da existência. Quando dizemos que o Deus Único é a Verdade, também é simbólico porque Ele está muito além da Verdade, apesar de se manifestar na existência verdadeiramente. E tudo que dizemos sobre Ain Soph é simbólico, apenas para que tenhamos uma vaga noção do Deus Único e aceitemos nossa total ignorância e limitação sobre o assunto. Quanto dizemos que Ain Soph está além da existência, isto também é um símbolo. O estar além evoca a ideia de lugar, o espaço. O espaço em si já é algo e Ain Soph transcende a existência. Portanto, Ain Soph não pode estar além, nem aquém, porque não está limitado pelo espaço, nem pelo ser (existência), apesar de que tudo tem origem em Ain Soph e por Ele é mantido e governado em todos os aspectos, do maior, ao menor, ontem, hoje e sempre, sem erros e sem falhas.

Sabiamente e simbolicamente os cabalistas judeus ensinam que Ain Soph está escondido atrás de três véus: Nephesch, Parokhet e o véu do Abismo. Nephesch é o véu que separa a nossa realidade da existência. Parokhet separa a existência do não-existente, ou mundo espiritual, entenda como quiser. Só neste véu já não há palavras, nem intelecto humano capaz de compreender ou sequer ter noção do que isto se trata. Apenas o existente entende o existente, mas nem o existente é capaz de entender o além-existente. E, finalmente, um terceiro véu, o véu do abismo, que separa o além-existente de algo que sequer podemos ter uma vaga noção. E Ain Soph está escondido atrás destes três véus, na fonte do filete da luz imaterial infinita que Ain Soph emana. Portanto, Ain Soph nos é totalmente inacessível, apesar de tudo depender desta Fonte Inesgotável, Eterna e Ilimitada, o Deus Único, que tudo governa sem erro e sem falhas.

Origem do nome Ainismo

Daí a origem do nome desta fé: ainismo, abreviação de Ain Soph. Ainismo é a fé que entende que só há um Deus Único, que se manifesta na existência de muitas formas, os Elohim (há mais nomes), que não são o próprio Ain Soph, mas a manifestação do Ain Soph na existência que pode se dar de vários modos e por vários meios, muitas vezes misteriosos e incompreensíveis para mente humana.

Ninguém compreende Ain Soph e jamais ninguém o compreenderá. O máximo que podemos entender é algumas de suas manifestações múltiplas na existência como Elohim (há outros nomes), mesmo assim de forma muito limitada, pois exige enxergar além da realidade para mergulhar na própria existência. De modo geral nós não temos acesso ao existente e toda nossa vida se limita à realidade. Superar a realidade para acessar o existente já é algo muito difícil para nós. Feito que só foi conseguido por pessoas raras e notáveis como Lao-Tsé, Buda, Moisés, Ezequiel, Isaías, Davi, rabi Shimon Bar Yochai e São João da Cruz. Há outras pessoas.

Ainismo: uma fé anti-idolatria

As pessoas comuns sentem a conexão com os Elohim por meio dos símbolos, oração e dos ritos de sua fé como a missa, o cântico no templo, o cumprimento das Mitzvoth, os passes e vários outros ritos de cada fé. Mas nem todos compreendem que os Elohim são manifestações diferentes de uma mesma Força Original: o Ain Soph, conhecido como o Deus Único. Esta ignorância é a origem do politeísmo e da idolatria ligada ao politeísmo. Muitos se confundiram e acreditaram na existência de vários deuses. Chegaram a pensar que Eles até brigassem entre si, quando a própria batalha narrada pelas crenças antigas eram simbólicas, uma forma acessível para a pessoa comum sentir a conexão com a verdade maior sem ter que se dedicar à décadas de estudos em ciências, filosofia e práticas místicas para compreender aquilo que a experiência religiosa revelava inconscientemente de modo mais rápido e eficaz para a pessoa comum. Lembremos que a maioria das pessoas, até pouco tempo, eram analfabetas, cheias de crendices e tinham que trabalhar duro a quase totalidade do tempo para não morrerem de fome. Elas não tinham tempo, nem meios para uma reflexão prolongada sobre o tema.

Os Elohim, portanto, são manifestações na existência de algo além: Ain Soph que não é homem, não é mulher, não é velho, não é criança, não é animal, não é vegetal, não é mineral, enfim: não tem forma e não se parece com nada real ou existente. Por esta razão, o D’us dos judeus não tem forma e não pode ser representado por nenhum símbolo porque o D’us dos Judeus é o Deus Único. Os judeus trouxeram para o Judaísmo a noção de que o D’us de Abraão, Isaac e Jacob é manifestação de Ain Soph e proibiram o uso de símbolos para afastar seus fiéis mais simples da idolatria e da bruxaria. Medida necessária na época e ainda necessária em muitos lugares para não confundir a mente das pessoas mais simples que ainda rezam para estátuas, símbolos e pessoas como se eles fossem uma divindade. Isto é idolatria porque idolatria é o ato de colocar qualquer ideia, coisa ou pessoa no lugar que só o Deus Único pode ocupar, o Deus que nunca erra e nunca falha.

Quando representamos um dos Elohim simbolicamente como homem, mulher, animal, vegetal, mineral ou por qualquer outra forma de nossa realidade, isto é apenas um símbolo para inspirar a nossa mente inconsciente a sentir a conexão com algum Elohim que manifesta o Deus Único na Existência. O Símbolo não é Elohim, e menos ainda o Ain Soph que se manifesta na existência como Elohim. A mente ignorante toma o símbolo como o próprio Elohim e daí a nasce a idolatria, mas a mente não-idólatra entende que o símbolo é só um meio de conexão, uma linha direta com a Força Maior, como se fosse um telefone, que apesar de ser um meio, só transmite a voz de quem está do outro lado (Elohim) numa altura que o inconsciente humano é capaz de suportar sem romper o tímpano ou matar o ouvinte por excesso de som. Cada pessoa tem uma capacidade de ouvir diferente da outra. Para as corujas, a luz do dia cega, mas para quem tem olho de águia a luz do dia revela detalhes. Igualmente, quem tem olho de coruja só enxerga bem na penumbra, mas para quem tem olho de águia, a penumbra é indecifrável. Nem todos são águias, nem todos são corujas e devemos respeitar as diferenças. Cada um é cada um e a misericórdia infinita de Ain Soph adapta-se para alcançar cada pessoa que O procura com o coração honesto.

O símbolo é como a foto de alguém querido que nos desperta o sentimento de aproximação com este alguém. Sabemos que a foto não é e nunca será este alguém, mesmo que às vezes olhemos para a foto como se a pessoa estivesse ali. A questão é que não existe, nem nunca existirá foto do Deus Único e este é o motivo pelo qual é fácil cair em idolatria quando usamos coisas ou símbolos como meio de conexão com o Deus Único. Até um quadro de um sábio da Torá e um Tefilin, quando usados erroneamente, podem se tornar objeto de idolatria (que Deus jamais o permita). Se a pessoa for realmente espiritualizada, jamais idolatrará, mesmo diante dos símbolos, e sempre terá em mente que toda Força Divina é Força do Deus Único que não tem formas.

À medida que a pessoa cresce em espiritualidade, a tendência é que ela busque o caminho dos 12 Princípios Universais que Deus estabeleceu para todos os povos, o qual não é o mesmo para os judeus de quem Deus exigiu o cumprimento de mandamentos extras e específicos com o objetivo de purificar cada judeu e prepará-los para o Sacerdócio Santo. Então, se você não é judeu, é desnecessário cumprir os mandamentos específicos para os judeus, mesmo que concorde moralmente com eles. Mas se quiser cumpri-los, mesmo não sendo judeu, você também pode praticá-los espontaneamente.

Fundamento da Tolerância Ainista

Se você compreendeu o que dissemos, já deve ter percebido o quanto é infantil brigar com alguém porque ele não usa o mesmo símbolo que você para sentir a conexão com Elohim. Isto é idolatria. Explicaremos agora: só o Deus Único não erra e não falha.

A maioria ainda comete o erro da idolatria, não há dúvidas, mas quase sempre por ignorância, não por maldade deliberada. Observe que o Deus Único ainda os ouvem e, frequentemente, faz milagres na vida deles, curando doenças, resolvendo problemas graves e fazendo coisas notáveis, mesmo quando eles chamam por nomes que a Torá condena para os Judeus e mesmo quando os líderes de religiões idólatras são pessoas perversas. Sabemos que o D’us Único fez estes milagres ou, no mínimo, permitiu que fossem feitos porque nem um neutrino muda se o Deus Único não quiser que mude e o Deus Único nunca erra e nunca falha. E mais: quando nos irritamos com um praticante de idolatria mostramos a nossa falta de fé no Deus Único porque nossa irritação mostra que não acreditamos que tudo é governado pelo Deus Único que conhece o tempo certo de cada indivíduo. Nossa raiva também diz que deve haver outra força que rivaliza com o Deus Único, e isto é idolatria de nossa parte porque quando acreditamos de verdade no Deus Único, temos plena convicção de que tudo está sob o governo do Deus Único, inclusive os milagres feitos em favor de praticantes de idolatria. Por isso, jamais devemos nos irritar com os caminhos misteriosos de misericórdia que o Deus Único escolheu para estas pessoas. Aliás, jamais devemos nos irritar com nada porque tudo, absolutamente tudo, até o o mau ao nossos olhos, está no lugar exato que deve estar porque o Deus Único quis ou assim permitiu e Ele nunca erra e nunca falha. O Deus Único não faz e nem permite jogadas erradas na tábua de xadrez gigantesca do multiverso que Ele governa.

Mas por quê o D’us Único escuta as orações de alguém que aos olhos de um judeu seria um idólatra? Só o Deus Único sabe a resposta exata, mas algo é certo: todo poder místico que se manifesta neste mundo, para o bem ou para o mal, manifesta-se porque o Deus Único permitiu ou quis. Portanto, tudo está sob o pleno e total governo do Deus Único, mesmo quando o evento é extremamente amargo ou mexe forte em nossos sentimentos humanos. Quando for o tempo deles abandonarem a idolatria, e esperamos que seja logo e rápido, eles deixarão de colocar coisas, ideias ou pessoas no lugar do Deus Único e buscarão se elevar espiritualmente da maneira correta.

A esta altura você já deve ter compreendido que Ain Soph não tem forma, mas que a mente humana usa símbolos para sentir a conexão com algum Elohim. Portanto, respeitemos os símbolos usados pelo nosso próximo, desde que o próximo não viole os 12 Princípios. Aceitemos que tudo está sob o governo do Deus Único e qualquer punição que o idólatra mereça sofrer será dada pelo próprio Deus Único ao tempo correto (12º Princípio). Quando o Deus Único julgar que o próximo estiver pronto, o Deus Único o convidará para se elevar espiritualmente. Até lá, devemos compreender que o Deus Único é misterioso e ilimitadamente misericordioso para estender suas mãos até mesmo para as pessoas que seguem religiões baseadas em idolatria.

Este é o motivo pelo qual o Ainismo não exige que as pessoas mudem de fé formalmente, isto é, abandonem sua fé original para abraçar outra nova. Esta medida é totalmente desnecessária porque o Deus Único não quer que você ganhe um diploma dizendo que faz parte de uma “outra religião” ou seja aceito pelo grupo dos praticantes de alguma religião que você considera boa. O Deus Único apenas quer que você cumpra as leis universais que Ele exigiu de todos os povos, isto é, não importa qual seja a sua religião oficial, o Deus Único quer que você NÃO ROUBE quando surgir oportunidade para roubar. Simples assim. O Deus Único quer que você mostre seu respeito a Ele por meio de suas ações e omissões no mundo concreto, não por meio de um diploma ou de ações praticadas exclusivamente para agradar as pessoas praticantes de alguma religião.

Não coloque nada no lugar que somente o Deus Único deve ocupar dentro de sua mente, somente Ele não erra e não falha. Todo resto erra e falha, mesmo que seja o mais elevado Tsadic especialista em Torá. Não há exceção. Até o anjo mais elevado de Deus pode errar. Deus é o único que nunca erra e nunca falha, que isto fique bem claro. Todo resto pode errar e falhar, inclusive nós. Portanto, ouça o que dizemos com atenção e a boa dúvida, não acredite cegamente em nada que for dito a você. Pese com honestidade cada palavra que for ouvida, sempre procure os fundamentos. Não idolatre.

Sabemos que o Deus Único é zeloso, mas também sabemos que Ele é muito misericordioso, mais do que nossa mente é capaz de imaginar. Judeus jamais devem rezar para nomes diferentes do que a Torá ordena. Por quê? Porque Deus estabeleceu esta lei para os judeus por meio da Torá. E o restante do mundo? É outro caso. Deus também estabeleceu leis para todos os povos por meio de sua Torá, mas a maioria destas regras estão ocultas, elas não foram declaradas abertamente como as foram para os judeus, por isso não é tão fácil indicá-las com exatidão. Alguns sábios judeus procuraram apontar estas leis, mas não fizeram isso com rigor metódico e de forma explícita, apenas disseram que “estas são as leis de Noach”. Muitas pessoas dizem que você deve acreditar nesses sábios, mesmo que as fontes na Torá não tenham sido especificadas, e mesmo quando tais regras tenham sido tiradas da Torá arbitrariamente, sem nenhuma lógica ou conexão direta com o texto lá escrito. Nós não recomendamos este proceder porque abre margem para acrescentar ou retirar mandamentos arbitrários com pseudo-fundamento na Torá. Não duvidamos da genialidade e da espiritualidade destes sábios, Deus nos Livre, mas afirmamos sem medo de errar: a luz brilha por si mesma. Portanto, se for necessário vários minutos de explicações engenhosas para mostrar a uma pessoa adulta e saudável que o dia já começou, é bem provável que o dia ainda não tenha começado. Só o Deus Único nunca erra e nunca falha, e os sábios de Torá, por mais inteligentes que sejam, não são o Deus Único, o Único acima da realidade e da lógica.

Qual origem dos 12 Princípios?

A natureza e a Lei de Elohim para todos os povos.

O Ainismo invalida ou substitui a Torá do Deus Único?

Jamais. Pelo contrário, é impossível seguir a Torá do Deus Único quando se viola o Primeiro e o Último princípio. Os judeus devem cumprir exatamente o que a Torá do Deus Único ordena especificamente para os judeus, inclusive quando for diferente de algum dos outros 10 princípios. Não há exceção. Na dúvida, consulte um rabino.

O Ainismo tolera a idolatria?

Não. Na dúvida estude o primeiro princípio. O Ainismo apenas reconhece que o Deus Único é misterioso e infinitamente misericordioso para estender sua misericórdia a todos, até para os praticantes de religiões baseadas em idolatria. Entendemos que há muitos níveis de idolatria e leva tempo até eliminar todos os níveis, dependendo de cada pessoa. Em todo caso, abominamos qualquer tipo de idolatria, inclusive os tipos menos falados: idolatria do estado, idolatria de políticos, idolatria de sábios de Torá, idolatria de ideias e muitos outros tipos de idolatria.