O sábio e o falso sábio, como desmascarar um picareta

Sabedoria

Conhecer é só uma das etapas do caminho para a sabedoria. Para o sábio, ser e agir são mais importantes.

Não é difícil parecer sábio hoje em dia. Como vivemos num país que não se importa com a verdade, a coerência ou a ética, é fácil se passar por alguém nobre, mesmo sendo o mais tosco dos indivíduos.

Há cinco modos diferentes de se relacionar com a sabedoria: o sábio, o beinoini, o filósofo, o homem comum e o picareta (falso-sábio ou kelipá de sábio).

Ser sábio não é para qualquer um. São poucos os que conseguem chegar a tão alto grau. Bons exemplos são Buda, Lao-Tsé e Rabi Akiva.

O beinoini exercita-se no dia-a-dia para tornar-se sábio. Com disciplina e persistência, ele busca mudar seu modo de agir e de pensar a fim de alcançar a a meta. A maioria passa a vida inteira sem a alcançar. Apesar das dificuldades, a tenacidade em viver com Sabedoria já vale a pena e é um excelente nível espiritual.

Também há o filósofo. Ele apenas simpatiza-se com a sabedoria, demonstrando agradar-se dela. No entanto, ele não se interessa em mudar a própria maneira de agir e de pensar para alcançá-la, pois se satisfaz por apenas admirá-la ou pensar sobre o assunto.

Já o homem comum não demonstra interesse pela sabedoria. Para ele, isso tanto faz. Não se importa com isso e pronto. Até aí tudo bem.

No entanto, há um grupo de pessoas que se passa por sábio ou por quem busca a sabedoria, quando não a busca, nem se importa com o assunto. São os picaretas, também chamados de falsos sábios ou Kelipá do sábio. Este artigo é dedicado a esse último modo de se relacionar com a sabedoria.

Para atender seus interesses pessoais, esse grupo cria viseiras e cortinas que dificultam a busca por quem se interessa pela sabedoria. Tal indivíduo é o falso sábio. Ele é como uma Kelipá: a sombra, a casca, a concha, a falsa aparência de algo que passa a ilusão de ser o algo, quando é, na verdade, sua negação.

Há gente assim em todas as profissões, espalhados por toda parte, independentemente da classe social, do sexo, da opção de fé ou da etnia. Em função disso, ensinaremos como identificar um falso sábio mencionando as principais características dele (e não são todas!).

A mentira mata

1) Mentir, mentir e mentir para ser politicamente correto e ficar na moda. Um falso sábio mente descaradamente e sem pudor, mesmo quando a verdade brilha por si mesma. Ele faz isso para ganhar a simpatia das pessoas. É mais fácil defender uma mentira popular do que uma verdade impopular. Um falso sábio evitaria dizer que quem mais discrimina os judeus no Brasil são os próprios “judeus ortodoxos”, isto é, os judeus fantasiados de judeus que impedem o retorno dos judeus perseguidos pela inquisição e afastam todos os gentios interessados em praticar judaísmo, exceto se for rico ou tiver status… É um negócio.

Por quê? Porque se trata de uma afirmação polêmica num país onde todos são ensinados a acreditar que um “judeu de verdade” sempre se veste daquela forma caricata. E há toda uma lenda de que tais judeus fantasiados seriam os fiéis cumpridores de Torá, quando apenas realizam a Profecia de Ezequiel (capítulo 34).

Um falso sábio evita dizer algo que desagrade a maioria, mesmo quando é verdade. E por quê? Porque ele quer ser aplaudido! É muito comum ele ficar em cima do muro quando é perguntado sobre algo polêmico. Ele faz isso por três motivos: 1) ele não sabe pensar;  2) não tem opinião própria e, 3) Não quer desagradar ninguém. Faça o teste: pergunte a um “doutor” de universidade pública qual é a opinião dele sobre Capitalismo e Israel. É bem provável que ele tenha uma opinião extremamente negativa e depreciativa. Por quê? Porque está na moda falar mal do Capitalismo e de Israel! Não interessa se for ou não a verdade, os falsos sábios são especialistas na disseminação de fofoca (Lashon Hará) para permanecerem na moda. Eles são sofistas perspicazes. E qualquer conhecedor de falácias notará que o “melhor argumento” deles é alguma espécie de falácia que só engana os desatentos.

2) Dizer coisas sem sentido. Para convencer as pessoas de que se é alguém excepcional, ele diz coisas sem sentido, que parecem bonitas, como “Direitos Humanos”, “Justiça social”, “bem comum” e outros. Os falsos sábios falam desses assuntos de maneira vaga e genérica, mas não arriscam a dizer o que é de maneira clara e precisa para evitar que a própria ignorância seja desmascarada. Sócrates, um buscador da sabedoria, era perito em desmascarar tais impostores.

3) Ostentação de títulos (idolatria). Um falso sábio preocupa-se mais com os títulos que ostenta do que com o que faz ou sabe. Enfim: o exemplo não importa. Para ele, o título fala mais alto. Isso porque o falso sábio é uma kelipá do sábio. Enfim: uma concha, uma casca que aparenta ser algo sólido, cheio de conteúdo, mas que, na verdade, é oca, vazia, despida da essência a qual aparenta conter. Por se apegar às aparências, a realidade não importa para ele. Ele apelará para o “diploma” ou para a fama de alguma outra pessoa para “fundamentar” suas crenças que ele chama de “verdade”. Qualquer um que pense com fudamento na realidade e na lógica notará rápido que o falso-sábio fala coisas absurdas o tempo todo.

sem sentido

Se isto não faz sentido para você, não se preocupe. O falso sábio diz muitas coisas sem sentido.

4) Prolixidade e Citações em língua estrangeira. Um falso sábio adora fazer citações em língua estrangeira para dar um ar sério e importante as bobagens que diz. O alemão, o hebraico e o latim estão entre os idiomas preferidos. Claro: ele também adora escrever dezenas de páginas inúteis, incompreensíveis e sem sentido. Gasta 4 horas e 200 páginas para explicar algo que poderia ser feito em 1 minuto ou uma página. Faz isso para criar a impressão de que seus escritos são elevados demais para que possamos compreender. Mas fique tranquilo: você não é incapaz, ele é que não diz nada.

5) Estão à venda. O falso sábio está à venda para defender qualquer bobagem desde que o pague bem ou lhe conceda algum cargo de prestígio. Duvida? Então olhe em volta com mais atenção. É bem provável que tenha um bem pertinho de você.

6) Consideram-se deuses (idolatria). Os falsos sábios se acham criaturas acima do bem e do mal. Eles acreditam que são infalíveis e superiores às outras pessoas. Não possuem autocrítica, nem capacidade de reconhecer o próprio erro. Pensam: “Se minha teoria não explica o mundo, deve haver algo de errado com o mundo!”. Não adianta conversar com ele, nem demonstrar o erro. Ele não o escutará, pois você, um reles mortal, não está à altura de falar com um Deus…

7) Apego doentio às formas (idolatria). O Falso sábio sente um tesão doentio pelas formalidades. Ele se preocupa com o tamanho das margens, o tamanho da letra, o espaçamento entre as linhas, se há ou não uma vírgula na frase, se ele sentará na mesa do lado direito ou do lado esquerdo de fulano de tal, se sentará na primeira fileira e todas as milhares de futilidades normatizadas pela ABNT e pelos livros de etiqueta. O falso sábio faz isso para se proteger, pois sabe que se as pessoas prestarem mais atenção ao conteúdo do que na forma, sua ignorância será fatalmente desmascarada. Se isso acontecesse quase todos os “doutores” das universidades brasileiras deveriam ser demitidos! Já imaginou se os ocupantes de altos cargos públicos falassem português popular e usassem camiseta e bermudão? Ninguém os levaria a sério. Já pensou se os falsos sacerdotes de Israel não se fantasiassem de judeus? A pompa e os trajes são essenciais para esconder o vazio. Quer irritar um falso sábio? Ao chamá-lo, não diga antes do nome a palavra “doutor”, “mestre”, “Excelência” ou qualquer outra que ele se considere merecedor. É incrível como se irritam só por isso. Manifestar ira por futilidades é sempre sinal de idolatria e de que estamos diante de alguém sem conteúdo.

8) Autopromoção (idolatria). O sábio de verdade não se importa em divulgar o próprio nome, nem em se tonar “famoso”, seu foco é aprender e ensinar com honestidade e sem idolatria. O falso sábio apega-se à “imagem” de seu nome e à autopromoção. Para ele, a pessoa é mais importante do que a sabedoria e, “quem fala” ou “quem o procura” é mais importante do que aprender e ensinar só por amor à Sabedoria.